Fim da escala 6x1 divide empresários, sindicatos e economistas
O fim da escala 6x1 voltou ao centro das discussões no Congresso e divide empresários, sindicatos e economistas sobre os possíveis efeitos da redução da jornada de trabalho. A proposta em análise prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além da ampliação do período de descanso dos trabalhadores. A matéria está prevista para ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (2).
O principal ponto de divergência está nos efeitos econômicos da mudança. Enquanto representantes dos trabalhadores defendem que mais tempo de descanso pode melhorar a saúde, o bem-estar e a produtividade, entidades empresariais afirmam que a redução das horas trabalhadas, sem diminuição dos salários, elevará o custo da mão de obra e poderá pressionar preços e empregos.
O que defendem os sindicatos
As entidades que apoiam o fim da escala 6x1 argumentam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e não necessariamente resultar em perdas econômicas.
O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, contesta a avaliação de que a discussão deveria ser adiada. Para ele, a redução da jornada é uma reivindicação antiga e não está relacionada exclusivamente ao calendário eleitoral.
Os defensores da medida também citam experiências de empresas que adotaram jornadas menores. Em alguns casos, segundo levantamentos apresentados no debate, houve redução da rotatividade e aumento da procura por vagas.
Outro argumento é que trabalhadores mais descansados podem apresentar melhor desempenho, além de terem mais tempo para atividades pessoais, estudos e qualificação profissional.
Empresários apontam aumento de custos
Do outro lado, entidades empresariais afirmam que a mudança pode elevar significativamente os custos das empresas, principalmente em setores que dependem de funcionamento contínuo e de grande quantidade de trabalhadores.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) lançou uma campanha contra o fim da escala 6x1 e defende que a discussão seja feita com cautela. A entidade argumenta que a alteração das regras trabalhistas pode aumentar despesas para as empresas e afetar setores como comércio e serviços.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também defende uma avaliação dos efeitos por setor. Entre as preocupações apresentadas estão possíveis impactos sobre inflação, emprego e atividade econômica.
Um levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), citado no debate, estima que o fim da escala 6x1 poderia elevar em até 15% os custos com mão de obra no setor. A entidade calcula ainda uma redução de quase 600 mil horas de trabalho por ano, que demandaria a contratação de aproximadamente 288 mil trabalhadores para compensar a diminuição da jornada.